Viajar não é um “mar de rosas”

Relutei um pouco para falar sobre isso, já que nosso objetivo é sempre incentivar as pessoas a realizarem seus sonhos de caírem na estrada mostrando os lados positivos de viajar. Esse blog inteiro é cheio de reflexões e dicas capazes de ajudar a qualquer um e é sempre um prazer receber mensagens de leitores dizendo o quanto nós os ajudamos.

Como minha mãe sempre diz: nada é perfeito. Tudo tem seus prós e contras. Isso é meio óbvio, não é mesmo? Mas ainda assim nós temos a esperança de encontrar aquela luz no fim do túnel que vá fazer com que todos os nossos problemas desapareçam num piscar de olhos e que, dessa forma, encontraremos felicidade plena. Então deixa eu te contar uma coisa: felicidade não é um destino. Felicidade é um estado de espírito. Um dia você está feliz porque conseguiu uma super promoção de viagens, ou porque ganhou um upgrade no hostel e acabou sendo colocado em quarto individual. No outro dia você está chorando as pitangas porque sua mala quebrou, ou pior: você perdeu aquele voo que tinha conseguido naquela promoção de viagens.

E sabe por que essas coisas acontecem? Não tem a ver com Karma, falta de sorte e nem nada disso. Tem a ver com a vida. Essas coisas acontecem porque a vida é assim, ponto final. Um dia ganhamos, outro dia perdemos, um dia acordamos felizes, no outro dia queremos passar o dia na cama. Um dia o carro quebra, a luz acaba, a roupa suja, o trem parte antes que você chegue na estação. Coisas ruins acontecem e precisam acontecer para que haja equilíbrio na minha vida, na sua vida e na vida de todo mundo.

Viajar é a mesma coisa. E isso acontece com qualquer viagem, seja aquele pacote de viagens caríssimo que você comprou no final do ano, ou aquela regada a hostels, mochila e boa vontade alheia. O quanto você gasta em uma viagem não determina a quantidade de problemas que você poderá encontrar. Seu voo pode atrasar, ser cancelado, ou pior: você pode pegar um trânsito horrível até o aeroporto e perder o vôo (acreditem, já aconteceu comigo). No avião, você poderá sentar ao lado de uma pessoa que não se importe muito ou não tenha muita noção de respeito e boas maneiras e ocupe metade do seu banco, fazendo você passar 5, das 8 horas de vôo, encolhida (também já aconteceu comigo). Você encontrará gente barulhenta nos hostels da vida. Talvez você não encontre um lugar pra lavar suas roupas pelos próximos 15 dias. Você irá se perder por uma vizinhança desconhecida, ou uma estrada no meio do nada. Você poderá levar um golpe, coisa tão comum pelo mundo. Você ficará doente, ou então aquele dente do siso que não incomodava há meses vai resolver te dar um bom trabalho bem no meio na viagem (está acontecendo comigo nesse exato momento). E esses são apenas os problemas de praxe.

Assim como nada na vida é perfeito, viajar também não é. Nem de longe. E é por isso que viajar ensina, nos torna pessoas mais maduras para resolver problemas inesperados, nos dá uma noção mais ampla da vida e nos molda para sermos melhores e mais preparados para a vida. E nada disso vem fácil. Tudo isso vem com muito perrengue e situações que na primeira vez podem parecer horríveis e não solucionáveis.

Meu ponto não é fazer você desistir de viajar, mas sim dar uma visão real da coisa toda. Viajar não é um mar de rosas. Viajar cansa, faz bolha no pé, faz doer as costas, irrita e algumas vezes faz a saudade de casa gritar dentro da gente, mas ao mesmo tempo nos molda, nos torna pessoas mais preparadas. Viaje e abrace os perrengues que vierem pelo caminho. E acredite: se tudo isso não valesse a pena, não estaríamos viajando.

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Destaques,Dicas Bruna Sturzbecher 01 dez 2015

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