Viajar é um privilégio

Há alguns meses atrás, nosso post sobre “A geração que está largando tudo para viajar o mundo” ganhou bastante destaque internet afora, foi bastante comentado e compartilhado. Foi bastante elogiado pelos mochileiros e viajantes de carteirinha e, como qualquer outro artigo publicado na internet, também foi bastante criticado.

Passeando pela internet há alguns dias atrás, vimos um post do blog Nomadic Matt e tomamos a liberdade de traduzi-lo, pois também vai de acordo com o que pensamos sobre viajar e você pode conferir abaixo:

Vamos encarar: não é todo mundo que pode viajar. Seja por dinheiro, família, obrigações ou circunstâncias, viajar está fora do alcance de um grande percentual da população mundial.

A frase “largue seu emprego e vá viajar o mundo”, que é tão comum em blogs de viagens (incluindo esse aqui), sempre acaba esquecendo o fato de que nem todo mundo pode fazer isso.

Meus anos na estrada me mostraram que a incapacidade de viajar, para muitos, é apenas uma questão de mentalidade (já que a maioria acredita que viajar é caro e por isso não procura formas mais baratas de fazê-lo) e também uma questão de prioridades (muitos gastam dinheiro em coisas que não precisam).

Mas também há aqueles que não possuem condições de “pensar diferente” e dicas sobre como gastar menos em viagens e cortar gastos simplesmente não irão fazer diferença: aqueles que estão doentes, têm pais e filhos para cuidar, têm dividas enormes ou muitas vezes possuem mais de um emprego para serem capazes de pagar o aluguel.

Afinal, 2,8 milhões de pessoas – cerca de 40% da população mundial – sobrevive com menos de 2 dólares por dia! Nos Estados Unidos, 14% da população está abaixo do nível da pobreza, 46 milhões sobrevivem com “vale-refeição” muitos precisam trabalhar em dois empregos diferentes para se sustentar e as dívidas estudantis ultrapassam os trilhões.

Nada do que um blog de viagens diga irá fazer com que viagens sejam uma realidade para essas pessoas.

Nós, que podemos viajar, somos alguns poucos privilegiados.

Seja largar o trabalho para passar dois meses viajando pela Europa, ou levar os filhos para passar as férias na Disney, essas experiências são algo que a maior parte da população mundial nunca terá a chance de ter.

Eu cresci em uma cidade predominantemente branca, classe média, com pais que pagaram por meus estudos. Eu ganhei emprego após minha faculdade, o que me ajudou a viver por minha conta, tirar férias e guardar dinheiro para fazer minha primeira viagem de volta ao mundo. E, por eu falar inglês, encontrei empregos para ensinar inglês na Tailândia, o que me ajudou a estender o tempo das minhas viagens.

Isso não quer dizer que “trabalhar duro” não conte, mas as circunstâncias que criaram as oportunidades para trabalhar duro também fizeram toda a diferença.

Conheci pessoas de todas as idades, de todas as rendas, habilidades e nacionalidades na estrada. Don e Alison, que estavam mochilando pelo mundo com 70 anos de idade; Michael, que trabalhava 60 horas por semana para ganhar um salário mínimo; Cory, que viajava o mundo em uma cadeira de rodas; Ishwinder, que não deixava as restrições de visto fazerem com que ele parasse; e muitos outros.

Mas até mesmo eles tiveram circunstâncias que os ajudaram a viajar – apoio da família e dos amigos, empregos que permitiam horas extras e outras habilidades. Eles não tiveram dificuldades em se sustentar e também não dependiam de assistências sociais. Eles não precisaram se preocupar se iam conseguir levar comida para casa.

Por isso é importante lembrar que nós tivemos sorte. Nós podemos fazer algo que outros nunca terão a oportunidade de fazer.

Nós somos privilegiados.

Mesmo se você estiver viajando pelo mundo sem dinheiro, trabalhando em outros países, viajando com 10 dólares por dia ou se matando de trabalhar para juntar dinheiro para viajar, você está tendo a oportunidade de fazer algo que a maioria das pessoas vão dormir sonhando em um dia poderem fazer. Você tem liberdade e escolha de perambular pelo mundo de uma forma que a maioria das pessoas não tem.

Isso é um privilégio.

 

Fonte: Nomadic Matt

Fotos: Huffington Post e Telegraph UK

 

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