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Um roteiro por Berlim

Sem dúvida nenhuma, Berlim foi uma das cidades mais lindas que já visitamos. Além da beleza indescritível da cidade, com sua arquitetura fenomenal (muitos prédios restaurados depois da II Guerra Mundial), a cultura e a história que essa cidade carrega é imensa. Depois de 6 anos de guerra e 12 anos de Regime Nazista, sua população ainda passou por mais 28 anos de divisão, ao decorrer da Guerra Fria, com um muro dividindo a cidade entre Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental.

Levamos em torno de duas horas de trem para irmos de Hamburgo até Berlim e quando chegamos lá, foi muito fácil encontrarmos o hostel que havíamos reservado. O transporte público em Berlim é bem amplo e acessível e ajuda na hora de cortar gastos.

Assim como na maioria das grandes cidades que passamos pela Europa, fizemos o free tour, com um guia nos explicando e contando a história dos pontos principais da cidade. Aconselhamos esse tipo de tour, porque é tão completo como os tours pagos (que geralmente não são muito baratos).

Muro de Berlim

Uma barreira física foi construída pela República Democrática Alemã (Alemanha Oriental), no período da Guerra Fria e dividia a cidade de Berlin em duas partes: oriental e ocidental, além de simbolizar a divisão do país em dois blocos: República Federal da Alemanha (RFA) e República Democrática Alemã (RDA). Foi construído na madrugada de 13 de agosto de 1961, com 66,5 Km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para cães de guarda. Os militares da Alemanha Oriental o vigiavam e tinham ordens para matar aqueles que tentassem escapar, o que resultou em 80 mortes, 112 feridos e mais milhares de pessoas aprisionadas.

Em 9 de novembro de 1989, a Alemanha Oriental comunicou que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental e Berlin Ocidental. Milhares de alemães orientais subiram e atravessaram o muro e o encontro dos dois povos, divididos por 28 anos trouxe clima de celebração. Ao longo dos dias seguintes, partes do muro foram destruídas por caçadores de souvenirs e pelo público eufórico. Depois, equipamentos industriais foram utilizados na remoção de quase todo o muro. A queda do muro abriu caminhos para a reunificação alemã, dando fim à Guerra Fria.

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Portanto, algumas poucas partes do muro ainda estão conservadas e as visitas são gratuitas. Sem contar que há uma marca no chão, passando por toda cidade, identificando aonde estava o muro antes de sua queda.

 

Topografia dos terrores

A Topografia dos Terrores (Topographie des Terrors) é um dos locais de lembrança que existem em Berlin onde é possível ver documentados, os horrores praticados pelos nazistas, a fim de que esses crimes e atrocidades nunca caiam no esquecimento. Ela se encontra no local que antes era sede da Gestapo, a polícia secreta e da SS (tropa de proteção nazista).

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Foi nesse local que os crimes e atrocidades contra os judeus eram planejados e gerenciados. Devido aos bombardeios da 2ªGuerra Mundial, os prédios que abrigavam essas instituições foram destruídos e após a guerra, as ruínas foram demolidas. Mas somente em 1987 a Alemanha abriu a exposição ao público. É interessante de se conhecer, pois fica bem ao lado de onde passava o Muro de Berlin (e parte desse muro está conservado) e o Checkpoint Charlie (posto militar na fronteira entre Berlin Ocidental e Oriental durante a Guerra Fria) e a entrada é gratuita.

Checkpoint Charlie

Era um posto militar que, durante a Guerra Fria, ficava exatamente na fronteira entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental e era o ponto que ligava o setor soviético com o americano. Quando o muro de Berlim foi construído, a Alemanha Ocidental denominou esse posto como ponto de controle que registraria a passagem de diplomatas e membros de forças aliadas entre a Alemanha Oriental e  Ocidental. Hoje em dia ele ainda está lá e inclusive mantém alguns atores vestidos de soldados, apenas para pousarem para as fotos dos turistas.

Imagens: Flickr/Axe.Man

                                                                                                             Imagem: Flickr/Axe.Man

Memorial do Holocausto

A uma quadra do Portão de Brandemburgo fica o Memorial do Holocausto, construído pelo arquiteto americano Peter Eisenman em 2004. Como o nome já sugere, o Memorial aos Judeus Mortos da Europa é um memorial dedicado aos seis milhões de judeus mortos no regime nazista.

O memorial foi construído em uma área de 19.000 quadrados, a mesma área que fazia parte da “faixa da morte”, quando o muro de Berlin existia. São 2.711 blocos de concreto, cinza escuros, distribuídos paralelamente em uma superfície ondulada. Não há nenhuma inscrição ou foto nos blocos, que variam entre 20 cm e 4,8 metros e possuem, todos eles, 2,38m de comprimento por 95 cm de largura.

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A intenção do arquiteto era produzir uma atmosfera confusa e causar a sensação de instabilidade, como se a escultura representasse um sistema que perdeu o contato com a razão humana.

Coluna da Vitória

É um dos cartões-postais mais famosos de Berlim, já tendo servido de cenário para a gravação do vídeo da música “Stay, Farway so Close” do U2.  Foi desenhada por Heinrich Strack, com o propósito de comemorar a vitória da Prússia sobre a Dinamarca na guerra Prússia-Dinamarca de 1864. Se localiza no meio do parque Tiergarten, na rotatória Grosser Stern (Estrela Grande) – já que esta rotatória dá acesso a cinco ruas, assim como uma estrela tem cinco pontas.

Nova Casa da Guarda

Um prédio localizado próximo à Universidade Humboldt, obra do arquiteto Karl Friedrich Schinkel, construído nos anos de 1816 e 1818, para servir de casa para os guardas da realeza. Em 1931 o arquiteto Heinrich Tessenow remodelou o prédio afim de que se tornasse um memorial aos mortos da Primeira Guerra Mundial. Dentro do prédio há uma única escultura, a de uma mãe com seu filho morto no colo e no chão a frase: “Às vítimas da guerra e da tirania”.

Universidade Humboldt

Fundada em 1810, a universidade acolheu vários pensadores alemães dos últimos dois séculos, entre eles o filósofo Johann Gottlieb Fichte, o teólogo Friedrich Schleiermacher, o filósofo idealista G.W.F. Hegel, o teórico legal romântico Savigny, o filósofo pessimista Arthur Schopenhauer, o filósofo idealista objetivo Friedrich Schelling, e os famosos físicos Albert Einstein e Max Planck. Os fundadores da teoria marxista Karl Marx e Friedrich Engels freqüentaram a universidade, assim como o poeta Heinrich Heine, o unificador alemão Otto von Bismarck, o fundador do Partido Comunista da Alemanha Karl Liebknecht e o unificador europeu Robert Schuman. A universidade teve 29 ganhadores do Prêmio Nobel.

Depois de 1933, como todas as universidades alemãs, foi transformada em uma instituição nazista de ensino. Foi da biblioteca da Universidade que 20 000 livros escritos por “degenerados” e oponentes do regime foram retirados para serem queimados em 10 de maio daquele ano na Opernplatz (hoje Bebelplatz) para uma demonstração defendida pela SA, que também incluiu um discurso de Joseph Goebbels.

Portão de Brandemburgo

Localizado na Pariser Platz é um dos cartões postais mais famosos de Berlin. Sua construção foi ordenada pelo rei Friederich Wilhem II, da Prússia e projetado pelo arquiteto Carl Gotthard Langhans. Há séculos atrás, quando Berlin ainda era pequenininha, a cidade era toda cercada por muros e o portão de Brandenburgo era um dos portões de entrada e o único que ainda existe.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o portão foi danificado pelos bombardeios. Somente 10 anos após o final da guerra o portão foi restaurado.

Festival de Cerveja

Tivemos a sorte de passarmos por Berlin na mesma semana do festival! Acontece sempre na primeira semana de agosto e lá ficam expostas mais de 2.000 marcas de cervejas, além de várias opções de comidas.

 

Fotos: Road For Two e Pinterest

Alemanha,Dicas,Europa Bruna Sturzbecher 26 jan 2015

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