Sobre viajar e voltar para casa

Em uma conversa com um taxista da Irlanda do Norte, mais precisamente no meio do tour que estávamos fazendo, uma frase dele se destacou: “Por mais que você ame algum lugar, a sua casa será sempre o seu país“. Por vezes essa frase passou pela minha cabeça, desde aquela quinta-feira nublada, quando atravessamos o outro lado do muro de Belfast. E confesso que rendeu uma boa reflexão.

Eu e minha inesgotável vontade de colocar o pé na estrada, de conhecer o diferente, de experimentar o sabor e ouvir o som de novas culturas, novos costumes, novos povos, eu que quero ir pra bem longe, nem que seja pra mudar de ares por uns dois dias, ou dois anos. Eu que sempre achei que não tivesse raízes em lugar nenhum, me deparei com algo que nunca havia sequer pensado, em uma quinta-feira cinzenta.

A primeira vez que pisei fora da minha pátria foi em 2009, quando fiz uma viagem curta pra estudar inglês nas terras do tio Sam. Lembro que sentia falta da minha mãe, sentia a falta de feijoada (eu quase nunca como feijoada), sentia falta de música brasileira, sentia falta das coxinhas que só o Brasil tem e foi exatamente isso o que eu comi assim que cheguei, ainda no aeroporto.

Andando pelo Portobello Market, em Notting Hill, um dos pontos mais famosos de Londres, que foi a nossa última parada do mochilão pela Europa antes de voltar pro Brasil, senti como se estivesse em casa e por dois segundos não entendi porque, até que ficou bem claro pra mim: um grupo de brasileiros estava ao meu lado vendo os preços dos óculos escuros em uma das lojinhas de rua. Gente falando português, gente falando a minha língua. E por mais que eu domine outra língua, o português sempre vai soar melhor aos meus ouvidos. Sempre vai trazer aquele aperto no peito, sempre vai trazer lembranças da minha casa, do meu lar.

Nem fiquei tanto tempo longe e senti falta daqui, senti falta da minha casa. Por vezes no meio da nossa jornada encontramos pessoas daqui e até mesmo pessoas de outros lugares, mas que já passaram por aqui e confesso que, por mais que eu ame cair na estrada e viajar, sempre sentia certo alívio ao ter o mínimo de contato que fosse com a minha casa. Logo eu, que achava que não tinha raízes, com saudades da minha terra, que “tem palmeiras onde canta o sabiá”.

 

Destaques,Dicas Bruna Sturzbecher 08 abr 2015

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