Sobre viajar com quem se ama

Aterrissamos na Holanda, era a primeira vez que eu pisava na Europa. O Renato já havia morado lá em 2010, em Londres, quando fez intercâmbio e aproveitou para conhecer alguns lugares em sua estadia por lá, lugares esse que ele fez questão de me levar, mesmo tendo que repetir roteiros, pois queria me mostrar como era, queria que eu sentisse as mesmas coisas que ele sentiu quando estava por lá. Eu queria levá-lo para a Islândia, lugar que eu nunca havia estado até então, mas que sempre amei. Lugar que por vezes visitei apenas com o coração, vendo cada foto, cada notícia, cada curiosidade. Ele precisava ir comigo, eu já sabia disso.

Nós planejamos uma viagem de baixo custo, que seria bem mais barata se fosse individual, claro, pois quando se viaja a dois, a comida é para dois, a passagem é para dois, a hospedagem é para dois, os bilhetes das atrações são para dois, obviamente. Tudo encarece, tudo é dobro, inclusive a felicidade. Passamos alguns apertos (os países nórdicos que o digam), as vezes comíamos cachorro-quente na beira da estrada para não gastar muito. Dormimos no carro pra economizar uma diária, em uma noite bem fria. Não era muito confortável mas eu tinha alguém comigo. E ele tinha a mim, sempre.

Foi juntos que descobrimos outras culturas, outras formas de ver a vida, foi juntos que bebemos cerveja em um festival internacional e juntos esquecemos como foi que chegamos no hostel. Olhamos mapas juntos, pedimos informações juntos, dividimos um crepe sentados em Paris, no pôr-do-sol, enquanto admirávamos a Torre Eiffel. Se estivesse sozinha, ele seria a primeira pessoa para quem contaria as coisas maravilhosas que vi. Mas é muito melhor saber que quem a gente ama também pôde estar ali e talvez esse tenha sido o principal motivo pelo qual as lembranças são tão boas.

As viagens de trem que fizemos, o passeio de gôndola que deixamos pra trás porque era muito caro, a vez que discutimos em Zurique porque erramos o caminho (sim, discussões sempre existirão). O dia que passeamos por Bruges inteira de bicicleta e que a minha quebrou no meio do caminho e ele cortou a mão para consertá-la. Os 5 Km de subida que fizemos juntos para ver uma cachoeira. O bloco de neve no meio da estrada, que quando vimos, paramos o carro e fomos brincar de fazer bolinhas e jogar um no outro. Aquela vez que caminhamos no meio da noite até Skaftafellsjökull e quase caímos no riacho antes de presenciarmos um dos momentos mais marcantes da nossa viagem: o sol da meia noite na frente de uma das maiores geleiras da Europa, onde só haviam nós dois e um fotógrafo perdido por aquelas bandas. E como esquecer do dia do meu aniversário, quando estávamos em Roma e do roteiro que ele planejou, baseado em um dos meus filmes favoritos? Do dia que rodamos até os subúrbios de Londres para que ele me mostrasse sua primeira casa em terras européias e da alegria que vi estampada no rosto dele quando eu vi o predinho iluminado no final da rua.

Carregamos mala, corremos pra pegar trem, dormimos em ônibus apertado, nos perdemos algumas vezes, racionamos comida, mas tudo isso no conforto da companhia um do outro. Voltamos pra casa com um relacionamento mais forte, com um companheirismo inquebrável, parceiros de vida, parceiros de viagem, viagem essa que não seria a mesma se não estivéssemos juntos. Não há preço que pague viajar com que se ama.

Destaques,Dicas,Europa Bruna Sturzbecher 31 mar 2015

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