Por que viajar?

Lembro quando eu e o Renato sentamos na sala de estar e decidimos que iríamos colocar nosso pé na estrada. A princípio era apenas um país, um destino que se tornou 18. Juntamos tudo o que tínhamos, pesquisamos o que era mais em conta, madrugávamos nas páginas de companhias aéreas pra encontrar alguma promoção relâmpago que nos permitisse baixar ainda mais o custo de nossa viagem. Embarcamos no dia 9 de julho de 2014. Frio na barriga, nervosismo, não só pela viagem e sim pelo “pulo no abismo”. Sim, um tiro no escuro.

Voltando uns meses atrás, lembro bem do quanto estava frustrada, fazendo o que eu não queria, pegando duas, as vezes três conduções para chegar no meu local de trabalho, presa no trânsito na maioria das vezes. Oito horas de expediente mais 3, as vezes 4 horas de trajeto e trânsito. Fazer isso todo dia cansa. Correr atrás de um sonho que não é seu também cansa. Cansa mais ainda, eu diria.

Eu precisava partir. Nós precisávamos partir. Porque partir não é sobre dizer adeus e sim sobre se encontrar, sobre mudar as perspectivas, sobre ser você mesmo, conviver consigo mesmo e nós, no caso, fizemos isso juntos. Lembro quando o avião aterrissou e da sensação que experimentei ao pisar em outro chão. Lá do alto os problemas pareciam tão pequenos, tão distantes, aquela vida cansativa, muitas vezes vivida dentro de um trânsito caótico, havia passado e não era nada, se comparada à imensidão do mundo.

DSC_0492 2

Nos sentimos um grãozinho de poeira quando notamos a quantidade de coisas que não conhecíamos, que não fazíamos idéia de que existiam. A quantidade de pessoas que conhecemos no meio do caminho com outras perspectivas, outras prioridades, outras linhas de pensamentos, as culturas tão peculiares, tão diferentes, nem melhores e nem piores, apenas diferentes. A verdade é que, o ato de cair na estrada e conhecer o mundo, nos ajuda a entender que somos bem menos do que pensamos, nos faz compreender que sabemos muito pouco das coisas e a imensidão do mundo nos reduz a pequenos pontinhos perdidos no meio do universo, que não são nada mais nem nada menos do que parte de algo muito maior.

Já vivemos os sonhos de outras pessoas. Muita gente ainda vive, pois é comum que todos queiram se estabelecer e se encaixar dentro dos padrões exigidos na sociedade, todos querem sucesso, bens materiais. Quem nunca quis o carro do ano, um endereço bom para se ter orgulho de vez em quando, o celular de última geração?  É bom possuir bens materiais, faz bem pro ego, é bom ver seus desejos tomando forma, é bom ter conforto, mas não é só sobre isso. Corremos tanto atrás de ter, tanto atrás do status e muitas vezes deixamos nossa felicidade de lado. Quantas pessoas são realmente felizes? Será que nossa busca pela felicidade está focada no lugar certo? Será que a resposta que se procura secretamente dentro de si está em algo materializado? 

Uma viagem é algo que ninguém nos tira. O contato com novas culturas, novas experiências, sensações e gostos, tudo isso é impagável. As lembranças de uma viagem não quebram, não são roubadas, não perdem a graça, não frustram. Viajar nos enriquece a alma, nos dá novas perspectivas, nos ajuda a ter um encontro com nós mesmos. Há quem viaje sob o conforto de bons hotéis, translados garantidos e há aqueles que viajam sem nenhuma certeza de onde vão dormir, pedindo carona, de mochila nas costas. Não importa a forma como você viaja. O que importa é o que fica, é o que se aprende, é o que se vive. De ônibus, de avião, de navio, de carro, de trem, de bicicleta ou até a pé, cada um acaba encontrando aquilo que precisava. Digo isso porque nós dois acabamos encontrando aquilo que procurávamos. Viajar mudou nossa vida.

 

Destaques,Dicas,Natureza Bruna Sturzbecher 02 mar 2015

Deixe seu cometário