Por que eu escolhi a Islândia?

A primeira vez que ouvi falar do país não foi por causa da Björk, como a maioria, afinal, ela foi importante na divulgação do país. Foi por méritos dela que a Islândia passou a aparecer no Mapa Mundi e se você reparar bem, os mapas mais antigos não mostram o país, que é aquele pontinho pequenininho entre a Groenlândia e a Europa que os aparece nos mapas mais modernos e no Google Maps.

Mas, voltando ao assunto: a primeira vez que ouvi falar do país não foi por causa da Björk. Foi em um livro da Meg Cabot, onde uma personagem mostrava dados de que os islandeses liam em média 50 livros por ano. Isso me chamou a atenção, tanto a quantidade de livros quanto o nome do país. Nunca tinha ouvido falar, e era 2007. Pelo menos agora eu sabia que a Islândia existia. Antes tarde do que nunca.

E desde então passei a ouvir o nome com mais frequência, pois é isso que acontece quando você passa a conhecer algo pela primeira vez: começa a ouvir falar mais sobre o assunto. E não deu outra: o vulcão Eyjafjallajökull (desafio você a pronunciar) entrou em erupção e causou o maior caos no tráfego aéreo da Europa. Era notícia em todos os jornais do mundo. Penso nas milhares de pessoas emputecidas com o vulcão impronunciável após terem seus vôos cancelados e suas agendas bagunçadas em conta disso. Até mesmo o Renato (a outra parte desse blog, aquele moço fofo das fotos) teve problemas em um voo por causa do vulcão islandês. Também ouvi falar do país em uma série de televisão, onde logo no primeiro capítulo uma das personagens havia voltado para os EUA depois de ter passado um ano em Reykjavík. Foi a primeira vez que ouvi falar em Reykjavík (pronuncia-se: rei-quia-vi-que, com bastante entonação no “r”).

Bastou uma olhada no Google para eu me apaixonar perdidamente pelo país. A quantidade de belezas naturais e paisagens que não existiam em nenhum outro lugar do mundo junto com toda a beleza da cultura nórdica deixada pelos vikings que colonizaram a ilha tomaram conta do meu coração. Quanto mais eu pesquisava, mais eu queria ir. Iniciei um “cofrinho” lá em casa. Tirava um pouquinho do salário todo mês. O dia chegaria.

Foi então que no ano passado eu e o Renato decidimos incluir o país em nosso roteiro de viagem pela Europa. Ele foi o primeiro país da lista, do contrário eu ficaria ansiosa a viagem inteira. Chegamos com muita chuva e frio, embora fosse verão. A máxima do verão em Reykjavík é 14 graus. Em Akureyri, no norte (onde estou nesse momento) é 11. Chegamos em Reykjavík molhados da chuva, cansados da viagem e com aquela enorme vontade de entrar no chuveiro, vestir uma roupa confortável e se enfiar debaixo da coberta pelas próximas oito horas.

Lembro que o primeiro ponto turístico que conheci foi, Hallgrimskírkja, a famosa igreja da capital. Até subimos pra ver as casinhas pequenininhas da janela do topo da torre. Pequenas e coloridas, todas enfileiradas até a costa. Dois dias depois estávamos na estrada, com algumas sacolas de supermercado pra passar os dias da viagem. A verdade é que só chovia. E por mais agasalhada que eu estivesse, sentia um frio absurdo, pois o vento aqui não tem muita piedade. Mesmo com vento e chuva, as coisas que vimos onde parávamos e até mesmo durante as horas de estrada não pareciam ser reais. Lembro do pensamento constante na minha cabeça: “isso realmente está acontecendo? É isso mesmo que estou vendo?”. Nunca fiquei tão deslumbrada com a natureza antes. O mais próximo de uma descrição que posso chegar sobre o sentimento que tomou conta durante a viagem inteira é que era tanta beleza que até mesmo o coração doía.

Andamos por trás de uma cachoeira, por uma praia de areia preta, entramos em uma caverna. Caminhamos por mais de uma hora para ficar ao lado da maior geleira do país, durante o sol da meia-noite, sozinhos, perdidos no meio de centenas de coisas maravilhosas. Esse foi apenas nosso primeiro dia. Vimos as ovelhas e os cavalos que ficam na beira da estrada, despreocupados como se o mundo não fosse acabar nunca. Vimos um iceberg se dividir ao meio e cair nas águas geladas do lago Jökulsárlón, vimos mais três cachoeiras de uma vez em apenas um dia.

Passamos pela experiência nada agradável de sentirmos cheiro de enxofre por umas três horas de viagem seguidas depois de visitar um campo de atividade vulcânica. Tem gente que assa pão e salsicha nesses lugares. E fica bom. Passamos até mesmo alguns minutos de terror ao entrarmos por uma estrada sem aviso nenhum que não poderia ser feita por um carro comum como o nosso. Foi assim que não conhecemos o vulcão do Júlio Verne.

Mesmo depois de passarmos por outros lugares incríveis da Europa, não conseguia parar de pensar na Islândia e em tudo o que vi. Antes de conhecer o país coloquei minhas expectativas lá em cima e mesmo assim o país conseguiu ser muito mais do que eu esperava. Tem algo mágico nessa terra que não consigo explicar o que é. Algo que me puxa de volta sempre que pode e de fato puxou: um ano depois e cá estou novamente. Dessa vez no norte, no maior fiorde do país. Próxima do maior vulcão, da maior cachoeira e do maior lago da Islândia. Dessa vez trabalhando e não à passeio como da primeira vez. Conhecendo a cultura de perto, aprendendo até mesmo a operar um caixa todo na língua islandesa. E quanto mais me aprofundo na vida islandesa, mais eu gosto dela.

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Destaques,Dicas,Islândia Bruna Sturzbecher 19 nov 2015

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