Conheça Belfast, a cidade irlandesa dividida e marcada por conflitos

A Irlanda do Norte foi a nossa porta de entrada para o Reino Unido. Chegamos em Belfast, capital do país, em uma noite bem fria, depois de nos despedirmos de Dublin e viajarmos de trem por duas horas.

A primeira impressão que tivemos de Belfast, foi de que era uma cidade bem calorosa e aconchegante. Os norte-irlandeses são extremamente educados e solícitos e o que constatamos foi que não era à toa que as pessoas que vivem lá são consideradas as mais queridas do mundo. Mesmo apesar de todos os conflitos enfrentados por quase 4 décadas, elas ainda possuem um sorriso sincero no rosto e uma vontade enorme de fazer o bem ao próximo.

Pois bem, como mencionado acima, a cidade possui uma história carregada de conflitos. A Irlanda do Norte é o único país que, apesar de fazer parte do Reino Unido, não fica no território da Grã-Bretanha. Tudo começou quando a Irlanda foi ocupada pelos ingleses e, como uma tentativa de marcar território, vários deles migraram para o país, afim de fortalecer a ocupação. Mas isso trouxe sérias conseqüências, a começar pelo quesito religioso, já que a Irlanda sempre foi estritamente católica e os ingleses eram protestantes. Com a chegada em massa dos ingleses na região, o local começou a se tornar hostil para os irlandeses, motivo esse que iniciou a divisão entre ingleses e irlandeses unionistas, que eram a favor do domínio britânico e a minoria irlandesa, que era católica, nacionalista e lutava pelo fim do domínio inglês, tendo como finalidade promover a unificação da Irlanda.

No século XVI, a Irlanda foi integrada ao Reino Unido e no século XX o movimento nacionalista surgiu, como uma tentativa de acabar com o domínio britânico no país. A maior parte da Irlanda conseguiu se desintegrar, no ano de 1922. O restante, mais especificamente o território que hoje corresponde à Irlanda do Norte, continuou sob domínio britânico.

Mas foi apenas na década de 60 que essa situação começou a trazer conseqüências mais graves. Em 1969 os britânicos ocuparam militarmente o Ulster (estado irlandês que atualmente corresponde à Irlanda do Norte) e dissolveu o Parlamento de Belfast, além de tomar todas as funções administrativas e políticas do país para si. Tudo isso revoltou os manifestantes e muitos recorreram às armas, surgindo, assim, o IRA (Irish Republican Army), do lado irlandês e o UFF (Ulster Freedom Fighters), do lado inglês.

Foi no ano de 1972 em que ocorreu o famoso “Domingo Sangrento”, onde jovens católicos e irlandeses foram massacrados. Ao todo, os conflitos no país resultaram a morte de mais de 3.600 pessoas, gerando revolta e tristeza no país, rendendo até mesmo homenagens como a música “Sunday Bloody Sunday”, do U2 e “Zombie” do The Cranberries.

Bom, sabendo do conflito que envolve todo o país, fica mais fácil falar de Belfast. Esse conflito pode ser sentido e presenciado por toda a cidade. Há grafites e pinturas de protestos em algumas regiões, principalmente nas regiões próximas ao muro. Isso mesmo, MURO: a cidade é dividida por um muro, onde de um lado fica a população irlandesa e do outro lado a população inglesa, com portões que fecham todos os dias às sete da noite e só abrem novamente pela manhã, possibilitando assim a passagem dos moradores.

Para saber de toda essa história na íntegra, fizemos um tour com o Black Cab, onde alguns taxistas da cidade disponibilizam esse tipo de serviço em seus próprios táxis, o que nós recomendamos, porque para nós foi muito interessante ouvir os relatos de um nativo que já viu tudo isso com os próprios olhos. O tour dura cerca de 4 horas e permite que você conheça os dois lados do muro.

Mais registros do que vimos por lá:

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Fotos: Road For Two

Destaques,Dicas,Europa,Irlanda do Norte,Reino Unido Bruna Sturzbecher 28 fev 2015

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